sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"Virada de Mesa"




"Fecho os olhos e o sono me carrega...
Para profundas águas turbulentas de meu passado...
Estou mergulhada na ansiedade causada por tua presença...
Seleciono palavras enquanto você me lança num penhasco de indiferença...
Tornando-se meu amante Carrasco com relação ao meu desejo...
Me alimentando com sobras de seu próprio prazer ...
Mas tudo isso desaparece com sua ordem e não sei como "ficamos bem"...
E, noutro momento já me vejo em repetição de datas e histórias...
Estou debaixo de toneladas de rancor e desespero por você ...
Andando em círculos, indago respostas...
Sem ter força para ouvi-las, ouço...
Nem que seja apenas para cumprir com o seu roteiro de rapaz sincero ...
Por que ainda respira depois de tantos golpes?, será sua dúvida...
Teu presente foi dar-me correntes com elos de incerteza, preso a carne de ilusão ...
Você me arrastou por distâncias que nem imagino...
E, quando parou esmagou com suas mãos meus planos, bebeu minhas lágrimas...
E sorriu ao me ver de joelhos implorando por amor...
Neste jogo você deu as cartas o tempo todo, mas se saiu vitorioso?
Perdi muitas partidas de auto-estima por ter aceitado tuas regras...
E, como numa virada de mesa, te vejo sumir pelo horizonte...
À procura de novas peças para o teu tabuleiro de mentiras...
Porém, não vai antes de depositar meus restos em alguma esquina...
E, você tinha razão de me considerar morta, pois eu estava mesmo...
O que veio depois não sei, a indescritível sensação me elevou a um outro nível...
Quando parei e vi que estava de pé, cai...
E luto padeceu sobre mim, visto estar eu enterrando uma menina...
Que não mais existia,e junto com ela sua mágoa, pureza, lágrimas e ódio...
Com o tempo presenciei seu renascimento e vi seu brilho se espalhar...
Foi então que abri meus olhos e acordei...
E, pude ver que certas coisas não mudam, logo as aceitamos como parte de nós...
Mas se pudesse mudar não o faria, pois hoje quem escreveria estas palavras?
Alguém sem marcas da realidade e com um coração cheio de fantasias?
Portanto, deixo as cartas perdidas e pagas com sangue em seu lugar...
E o modo como fazer um jogo diferente, este eu aprendo a cada manhã ...
A cada ferida indolor; a cada rodada vencida."

2 comentários:

Ana Casanova disse...

Olá Bela,
que esse sofrimento sirva apenas de aprendizagem para que nunca mais haja um carrasco na tua vida.
O passado não podemos apagar mas vivemos o presente e com olhos no futuro.
Obrigada pela tua visita e palavras e acredita que volto sempre.
Beijinhos e felicidades.

" A Bela e a Poeta " disse...

Concordo Humana. Eu fixo meus olhos no futuro e, se escrevo sobre o "Carrasco" é justamente para mostrar que ele me ensinou muito sobre o que não se esperar em um homem. E, minha vida hoje, sozinha está mmmmuuuiiitttooo mais feliz. Aguardo nosso próximo contato, hein? Abraço.. Bela.